Blogalizando
  

Um Vento

"O vento bate a porta do quarto,
mesmo vento frio
que te sopra pra embora.
Eu o ignoro e
na ânsia de mais um pouco de si
te persigo.
Chove e a chuva te escorre;
lânguido que sou
não te bebo,
tenho medo;
prolongamentos infinitos dos momentos de despedida.
O vento não abre portas
e a chuva não seca dores.
Afelicidadeétãocurtaquantoexiste!
Mas o vento foi forte
e minha personalidade, marcante:
encontro abrigo na calça jeans mais velha
e no rancor do rival mais próximo.
Vou enumerando os poemas que não te escrevi."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 19h51
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   Velho com cara de Novo

"Je sens ce qui me dit la nuit
quand seul
j'entends les voix
ils que foulent fort dans le coureur.

...hier je suis mort de toi..."

Diego Filipe

 Escrito por Sandman às 04h46
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Máximas e Interlúdios

Era fácil mentir: não acreditava mesmo nas suas próprias palavras!

Ao feio, o bonito lhe apetece.

Trabalhava de sol à sol, mas com escala em Milão.

Eram dois num barco; um remava pra esquerda, outro pra direita: movia-se, então, o rio.

Crise criativa é como menstruação: passa, mas quanto sangue vai junto...



 Escrito por Sandman às 21h29
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 Escrito por Sandman às 15h53
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Do Rio Que Sou

à Gisele Rodrigues

"Molhe em mim sua boca
sedenta
que cada beijo que eu te der
será diferente do anterior
e um prenúncio do próximo.

Navegue afoita meus raios
de sol
e aqueça essa vontade
louca
de nunca sair de nossa cama

suja do nosso amor
e de meus anteriores
e futuros

pois juntos somos
pretéritos
e imperfeitos
e inteiros
posto que somos chamas
sempre eternos!"

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 23h35
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Cinco Sentidos

"Pra me livrar de sua imagem
rasguei nossa mais bela foto;

só não consigo me livrar
da lembrança de seu sorriso.

Pra não ouvir sua voz
me mantenho longe do telefone;

mas você sussurra 'eu te amo'
enquanto estou dormindo.

Na gaveta do meu quarto
deixei o que restou do seu cheiro;

só não lavei ainda
todas as peças de roupa nas quais ele está impregnado.

Contra os apelos loucos do meu corpo
me agarro forte ao travesseiro;

mas faltam-lhe braços
para responder ao meu carinho.

Pra tudo tenho uma solução,
só não sei o que fazer
com essa saudade do gosto de sua boca
que me deu agora!"

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 18h17
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Tédio
(e/ou Depois de Você)

"É como se quisesse
mudar os móveis de lugar
e não conseguisse...

... e como se o fizesse,
mas de nada adiantasse.

É como se a cidade
perdesse seus habitantes,
menos um.

É como quando o café
já esfriou na chaleira
e não se sente mais cheiro algum.

É o celular que nunca toca,
fora de área,
dentro da própria casa.

É como se a culpa fosse do correio,
pois a carta não chega...

... se chegou a ser enviada.

É como a música mais irritante
tocando alta o dia todo no vizinho.

Como lavar a louça limpa;
enxugar os pés já secos;
chorar no escuro...

É como abrir a janela do quarto
em dia de céu nublado."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 16h38
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Eu Quero Estar Perto

"Que é pra quando
a vida lhe fizer sofrer
e o mundo lhe for pesado
não precise chorar alto
pra que eu te escute.

Que é pra quando
você enjoar da minha cara
e não aguentar a minha presença
possa me mandar embora
sem precisar erguer a voz.

Que é pra sempre
que abrires as pernas
eu as beije sedento
e, contra sua vergonha,
fique íntimo da sua virilha.

Que é pras vezes
que as lágrimas me vierem
eu só precise deitar
cuidadosamente minha cabeça
para que ela repouse em seu colo.

Que é pra quando
eu lhe escrever seu poema
possa lê-lo baixinho,
olhando em seus olhos e vendo
um arrepio percorrer todo seu corpo.

Que é pra onde
estiverem seus lábios
estejam também os meus
e que sejam nossos últimos
e sempre primeiros beijos.

Que é pras suas piadas
serem sempre sem graça,
mas que me façam rir
como se nunca as tivesse ouvido
ditas por uma voz mais linda.

Que é pra quando
você ficar com medo do escuro
e eu não for um porto seguro
possa ao menos acender a luz
sem soltar de sua mão.

(...)

Que é pra você
poder cantar baixinho,
como quem não quer,
e mesmo assim eu te ouça
encantado por teu recato."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 06h17
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De Um outro Eu-Lírico

"Te quero nem sempre,
nem todo dia,
mas quero como
e porque arde
principalmente
quando te quero longe!

e perto também
Q-U-E-R-O
pois querer te tenho
e querendo-te-confundo

sou dúbia

tenho medo
me afirmo
minto
Mulher
menina

me escondo
em você
de você
pra você

te afasto com motivo
e sem
pra te testar
pra não enjoar

pra você me desejar!

sou insegura e
insegura perco

sou dona da minha vontade e
Dona
te ganho!"

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 00h42
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Um Outro Samba

"A gente esquece um samba
e faz um outro samba"
(Paulinho da Viola)

"Te mostrei meu samba e você riu,
mas não sorriu por felicidade ou vaidade;
o motivo? Qual!? Eu já não sei!
Mas na cadência do teu riso eu chorei.

Deve ser porquê sou mineiro
e do samba nada entendo,
só sei de seu balanço sereno, sofrido
e é a ele que me entrego.

Mas você riu e disse
que de samba já basta o seu
e que o meu é meu
e dele você não compartilha o tom.

Deve ser porque não tenho o molejo,
a malícia e a malandragem que te atrai,
pois meu samba não está no pé
e sim nos dedos que batucam dolentes na mesa.

E ao ouvir meu cantar, riste dele
e seu olhar foi de desprezo,
então, desse samba me esqueci...

... fiz, agora, um outro samba,
repetido, triste, dizendo todas as coisas que já lhe disse,
que é pra quando eu cantar de novo
possa ver um sorriso qualquer se abrir em seus lábios."

Diego Filipe

Dedicado à quem é justo que o seja



 Escrito por Sandman às 14h10
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Um Samba

"Gosto do teu cheiro
e dos teus pêlos,
mas prefiro o cheiro
do meu violão.

Adoro emaranhar-me
em teus lisos cabelos,
mas meus finos dedos
melhor tateiam e dedilham
as cordas de meu instrumento

e suas curvas não são tão justas
quanto o corpo da viola
que pousa, nua, sobre minha coxa
e canta suas notas
sem vergonha ou pudor.

Com ela, componho um samba
que é pra espantar a saudade
e curar minha vontade,
essa tremenda vontade de você;

canto para tirar-lhe a dor
e a necessidade do peito

e se, nessa cadência,
se sentires balançada,
embriagada,
entregue-se

que eu deixo a viola de lado
e embalo um samba em seu coração."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 12h40
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Poema Pra Espantar Necessidade
(ou A Cura Para Aquela Doença)

"É preciso menos amar para se escrever,
muito amor é doença
e, doente, não há poeta que conjugue

um verbo, um adjetivo,
um abraço sequer.

Dos dois, poema ou poeta,
à um apenas pertence a cena:
ao outro cabe o esquecimento
e o esquecer

e um quinhão do alívio
de guardar a paixão na palavra.

Mas se o poeta ama
e o faz sem limites,
dele a poesia escapa,
ela não é assim,
não se entrega...

... o poema tem medo da paixão do poeta.

É preciso não precisar,
já que o que importa é o querer;

há de bastar a vontade
(e não a necessidade)
pra fazer brotar o romance

que o poema vem de enfiada,
chega junto
e bebe da felicidade ingênua

de ser exatamente aquilo que se deve ser quando as coisas vierem a acontecer!"

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 01h05
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Aconteceu

"... e foi quando você veio
e fundou em mim a solidão.

Deixou aqui comigo sua presença
mesmo quando está ausente
calou o que em mim era poeta
comeu os meus pontos e minhas vírgulas

e no lugar onde eu guardava a certeza
plantou fundo seus "não!".

Inventou a felicidade
e a transformou em seu perfume
e invandiu minha casa
e minhas roupas
e meus dias

hoje, cada segundo é perfumado de você.

... na verdade, foi quando eu te notei
e meus olhos não souberam olhar pra outra direção..."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 04h14
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Quente

"Qualquer dia da semana
Um coração vazio
Se enche de amor
Qualquer dia da semana
É primavera"
(Lobão)

"Há paixão no frio
e também no calor,
acreditem:
só o que muda é a temperatura.

Porém, se dou um dedo
por uma piscina
luto e te convenço
que não é só pra te ver quase nua.

E colocaria um ar condicionado
no meu quarto
se você não gostasse de suar...

... mas isso ainda não tive
tanto tempo assim pra descobrir.

Desligaria o ventilador
de teto
pra poder te ouvir
se você me dissesse alguma coisa;

me diga algo
que eu goste
de ouvir!

Não, não precisa ser fria,
deixa o calor nos queimar

que o contra-ponto
de morrer de sede
em frente ao mar
é dele tanto beber
até o ponto de se viciar."

Diego Filipe 



 Escrito por Sandman às 00h17
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Case-se Comigo

“Vamos nos casar

mesmo que eu não conheça Búzios
que eu não tenha um carro do ano
que não tenhamos uma foto juntos.

Case comigo

mesmo que eu não queira trabalhar tanto assim
que eu não tenha dinheiro para pagar nossa empregada
mesmo que seus pais desejem um melhor partido.

Me ame

mesmo que eu não seja seu príncipe
ou seu eterno

mesmo que eu seja seu momento
e que eu vá passar
e que eu vá amanhecer
e que você vá chorar.

Padeça comigo

mesmo que você não queira
e que pareça não tão bom assim

só porque lhe peço
e só porque nos parecemos
quando estamos distantes.

Case-se comigo

nem que seja
só pra eu te fazer feliz pelo resto de nossas vidas.”

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 03h38
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BRASIL, Sul, LONDRINA, CENTRO, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Música, Viver


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