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"Amanheceu outro sol que trará a luz, outro dia, sol lunar. E pro longe existir eu vou dizer do meu desejo de fazer tudo mudar..." (Graveola e o Lixo Polifônico) Lembrança "Quantos anos se passaram? Um? Dois? Todos? E a que velocidade eles se foram? A contrária a da luz: eu ainda estou lá! Pra lembrar deixo meu quarto bagunçado, mas já não há mais, na desorganização das memórias seu guaraná sem gás, sua água quente, sua escova ainda molhada e os pássaros de papel que construiu enquanto eu dormia. Nem meu escuro, nem meu sono: nada! Minha mão em suas calças: Pára! A porta aberta é pra quem quer entrar; o coração aberto é pro que quer sair... A música baixa é o consolo daquele que quer chorar." Diego Filipe
Escrito por Sandman às 05h21
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Da Não-Existência "Do nada ao pó, a não-existência, que não é de forma alguma, oposto ou contrário do conhecido como vida.
Condição da qual nunca se chega, pra sempre se vai, pra onde se vai e onde nunca se está.
Qual sagrado ou profano, qual Nada.
Recordação não há, a vida é impressa, indelével, não totalmente rememorável, mas pungente;
está no corpo, está no ar, por dentro e por fora, na mente e fora dela,
só não há o que Não-Haverá.
Recorda-te da vida que tiveste em cada momento da vida que terás."
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 02h32
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Fascinação
"Uma coisa não nego,
me fascina:
as vezes uma vida inteira
vira poesia;
você lê,
raciocina
e afirma:
'Meu, que porcaria!' "
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 20h29
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Um Vento
"O vento bate a porta do quarto, mesmo vento frio que te sopra pra embora. Eu o ignoro e na ânsia de mais um pouco de si te persigo. Chove e a chuva te escorre; lânguido que sou não te bebo, tenho medo; prolongamentos infinitos dos momentos de despedida. O vento não abre portas e a chuva não seca dores. Afelicidadeétãocurtaquantoexiste! Mas o vento foi forte e minha personalidade, marcante: encontro abrigo na calça jeans mais velha e no rancor do rival mais próximo. Vou enumerando os poemas que não te escrevi."
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 19h51
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Velho com cara de Novo
"Je sens ce qui me dit la nuit quand seul j'entends les voix ils que foulent fort dans le coureur.
...hier je suis mort de toi..."
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 04h46
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Máximas e Interlúdios
Era fácil mentir: não acreditava mesmo nas suas próprias palavras!
Ao feio, o bonito lhe apetece.
Trabalhava de sol à sol, mas com escala em Milão.
Eram dois num barco; um remava pra esquerda, outro pra direita: movia-se, então, o rio.
Crise criativa é como menstruação: passa, mas quanto sangue vai junto...
Escrito por Sandman às 21h29
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Escrito por Sandman às 15h53
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Do Rio Que Sou
à Gisele Rodrigues
"Molhe em mim sua boca sedenta que cada beijo que eu te der será diferente do anterior e um prenúncio do próximo.
Navegue afoita meus raios de sol e aqueça essa vontade louca de nunca sair de nossa cama
suja do nosso amor e de meus anteriores e futuros
pois juntos somos pretéritos e imperfeitos e inteiros posto que somos chamas sempre eternos!"
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 23h35
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Cinco Sentidos
"Pra me livrar de sua imagem rasguei nossa mais bela foto;
só não consigo me livrar da lembrança de seu sorriso.
Pra não ouvir sua voz me mantenho longe do telefone;
mas você sussurra 'eu te amo' enquanto estou dormindo.
Na gaveta do meu quarto deixei o que restou do seu cheiro;
só não lavei ainda todas as peças de roupa nas quais ele está impregnado.
Contra os apelos loucos do meu corpo me agarro forte ao travesseiro;
mas faltam-lhe braços para responder ao meu carinho.
Pra tudo tenho uma solução, só não sei o que fazer com essa saudade do gosto de sua boca que me deu agora!"
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 18h17
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Tédio (e/ou Depois de Você)
"É como se quisesse mudar os móveis de lugar e não conseguisse...
... e como se o fizesse, mas de nada adiantasse.
É como se a cidade perdesse seus habitantes, menos um.
É como quando o café já esfriou na chaleira e não se sente mais cheiro algum.
É o celular que nunca toca, fora de área, dentro da própria casa.
É como se a culpa fosse do correio, pois a carta não chega...
... se chegou a ser enviada.
É como a música mais irritante tocando alta o dia todo no vizinho.
Como lavar a louça limpa; enxugar os pés já secos; chorar no escuro...
É como abrir a janela do quarto em dia de céu nublado."
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 16h38
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Eu Quero Estar Perto
"Que é pra quando a vida lhe fizer sofrer e o mundo lhe for pesado não precise chorar alto pra que eu te escute.
Que é pra quando você enjoar da minha cara e não aguentar a minha presença possa me mandar embora sem precisar erguer a voz.
Que é pra sempre que abrires as pernas eu as beije sedento e, contra sua vergonha, fique íntimo da sua virilha.
Que é pras vezes que as lágrimas me vierem eu só precise deitar cuidadosamente minha cabeça para que ela repouse em seu colo.
Que é pra quando eu lhe escrever seu poema possa lê-lo baixinho, olhando em seus olhos e vendo um arrepio percorrer todo seu corpo.
Que é pra onde estiverem seus lábios estejam também os meus e que sejam nossos últimos e sempre primeiros beijos.
Que é pras suas piadas serem sempre sem graça, mas que me façam rir como se nunca as tivesse ouvido ditas por uma voz mais linda.
Que é pra quando você ficar com medo do escuro e eu não for um porto seguro possa ao menos acender a luz sem soltar de sua mão.
(...)
Que é pra você poder cantar baixinho, como quem não quer, e mesmo assim eu te ouça encantado por teu recato."
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 06h17
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De Um outro Eu-Lírico
"Te quero nem sempre, nem todo dia, mas quero como e porque arde principalmente quando te quero longe!
e perto também Q-U-E-R-O pois querer te tenho e querendo-te-confundo
sou dúbia
tenho medo me afirmo minto Mulher menina
me escondo em você de você pra você
te afasto com motivo e sem pra te testar pra não enjoar
pra você me desejar!
sou insegura e insegura perco
sou dona da minha vontade e Dona te ganho!"
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 00h42
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Um Outro Samba
"A gente esquece um samba e faz um outro samba" (Paulinho da Viola)
"Te mostrei meu samba e você riu, mas não sorriu por felicidade ou vaidade; o motivo? Qual!? Eu já não sei! Mas na cadência do teu riso eu chorei.
Deve ser porquê sou mineiro e do samba nada entendo, só sei de seu balanço sereno, sofrido e é a ele que me entrego.
Mas você riu e disse que de samba já basta o seu e que o meu é meu e dele você não compartilha o tom.
Deve ser porque não tenho o molejo, a malícia e a malandragem que te atrai, pois meu samba não está no pé e sim nos dedos que batucam dolentes na mesa.
E ao ouvir meu cantar, riste dele e seu olhar foi de desprezo, então, desse samba me esqueci...
... fiz, agora, um outro samba, repetido, triste, dizendo todas as coisas que já lhe disse, que é pra quando eu cantar de novo possa ver um sorriso qualquer se abrir em seus lábios."
Diego Filipe
Dedicado à quem é justo que o seja
Escrito por Sandman às 14h10
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Um Samba
"Gosto do teu cheiro e dos teus pêlos, mas prefiro o cheiro do meu violão.
Adoro emaranhar-me em teus lisos cabelos, mas meus finos dedos melhor tateiam e dedilham as cordas de meu instrumento
e suas curvas não são tão justas quanto o corpo da viola que pousa, nua, sobre minha coxa e canta suas notas sem vergonha ou pudor.
Com ela, componho um samba que é pra espantar a saudade e curar minha vontade, essa tremenda vontade de você;
canto para tirar-lhe a dor e a necessidade do peito
e se, nessa cadência, se sentires balançada, embriagada, entregue-se
que eu deixo a viola de lado e embalo um samba em seu coração."
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 12h40
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Poema Pra Espantar Necessidade (ou A Cura Para Aquela Doença)
"É preciso menos amar para se escrever, muito amor é doença e, doente, não há poeta que conjugue
um verbo, um adjetivo, um abraço sequer.
Dos dois, poema ou poeta, à um apenas pertence a cena: ao outro cabe o esquecimento e o esquecer
e um quinhão do alívio de guardar a paixão na palavra.
Mas se o poeta ama e o faz sem limites, dele a poesia escapa, ela não é assim, não se entrega...
... o poema tem medo da paixão do poeta.
É preciso não precisar, já que o que importa é o querer;
há de bastar a vontade (e não a necessidade) pra fazer brotar o romance
que o poema vem de enfiada, chega junto e bebe da felicidade ingênua
de ser exatamente aquilo que se deve ser quando as coisas vierem a acontecer!"
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 01h05
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