Depois de um tempo de inatividade, 3 poemas, novos e antigos e republicados (ou não):
Notícia
"E eu fico pensando aqui comigo, sozinho, 'e se um dia ela voltar e eu não souber o que fazer?' e a resposta encontro naquela foto que ela me deu e que eu não tive coragem de jogar fora.
Uma foto pode significar muitas coisas, pra mim, significa que eu não posso ignorar que ela existe, mesmo isso sendo a coisa que eu mais queira (que eu mais finja que queira).
Um telefonema já seria o bastante; um daquelas telefonemas em que você fala da sua vida e eu ouço como se fizesse parte dela; um telefonema que não fosse uma notícia nem boa nem má, apenas uma notícia de você sem mim.
E se um dia você voltar de verdade, eu estarei aqui, não garanto que te esperarei, isso é sempre pedir muito, mas garanto que por ontem te esperei, por hoje me bastam as lembranças de anteontem."
Chaves
"Ontem eu andava pela rua (as ruas parecem tão diferentes de mim) e tropecei... quando me levantei, percebi que estava sem as chaves de mim mesmo.
Eu as procurei, e ainda agora procuro, e pensei que achei, mas eram as do sujeito ao lado: "Ó meu jovem, obrigado, há anos vinha as procurando".
Acho que vou pro céu mesmo assim.
Aceitação, afetação, sem noção... talvez o que me falte seja parar de contemplar o mar... "você precisa ser a rede".
Mas a verdade sobre mim tem dono?
"Esse jovem perdeu as chaves de casa, se alguém as achar, deixe-nas aqui na rádio, ele está pedindo por favor."
Tomara que elas venham com cheiro de mulher.
Não é que eu não me aceite como eu sou, só tenho problemas com a forma como os outras pessoas acham que sou.
Ontem eu perdi as chaves de mim, quem achar, favor adentrar, roubar tudo o que tenho aqui dentro e deixar um espaço vazio para novos móveis entrarem."
Matemática
"Um mais ela igual a eu; Eu mais um igual a nada; Eu mais eu igual vazio. A salvação da matemática da solidão é um número que não existe pois é dois, porém uno, porque é tudo, mesmo sendo pouco."
Diego Filipe Araujo Alcântara
Agora sim, estou de volta, à plenos pulmões e à todo torpor...
Escrito por Sandman às 23h36
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