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Ciúme
"Estou alegre só um pouco triste sem dúvida insanamente apaixonado
Busco algo novo que nunca tenha visto ou escrito apaixonadamente louco
Sinto ciúme do que não tive de verdade cegamente angustiado
Escrevo à toa o que escrito já foi tantas vezes apaixonadamente amando"
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 00h51
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Como Vai Você?
"Oi, como vê, eu vou bem à tempo de dizer que gosto de você
por menos que valha ou por mais que custe não desisto mesmo se me ralha
não me negues que sei que por mim não padeces
mas se de amores morro e meu olho em pranto derrete é porque sabes, paixão, o quanto sofro
e se peço tua volta não subestimes o que sinto é só uma poesia
que da pele me salta!"
Diego Filipe
Escrito por Sandman às 03h28
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Capítulo de Sorte
"Quando eu te vi perguntei: 'Como é que vai você? Tudo bem?'" (Los Hermanos)
"Acordou! Era simples, levantar, lavar o rosto, escovar os dentes, comer algo, arrumar as coisas e ir pra faculdade! Simples, rápido e mais fácil, impossível. Isso quando o despertador tocas as 7 da manhã, como todos os dias... menos naquele. Naquele dia o amaldiçoado aparelinho eletrônico ultra-moderno que, no fundo, só serve pra te tirar da única hora do dia que realmente vale a pena, não despertou às 7, mas sim às 8. Ninguém soube explicar até hoje o porque, mas o frescurento despertou uma hora mais tarde. 20 minuos para chegar na faculdade? Impossível, mas, o quanto mais cedo melhor! Já na rua lembrou-se que não escovara os dentes. Lá se iam R$0,50 em balas. Como sempre, ponto de ônibus lotado de atrasados, como ele, por isso acordava mais cedo, odiava o aperto que enfrentou até a metade do caminho naquele dia. Metade, pois o ônibus quebrou na exata metade do caminho. Bom, era esperar outro ônibus vir da garagem ou andar aqueles derradeiros 2Km até a faculdade. Decidiu andar. Odiava andar muito. Quase vencido o percurso, passando próximo a uma dessas bocas de lobo, um carro passou e sujou sua calça toda de água lamacenta (pensando pelo lado positivo, pois vai saber o que há lá dentro de verdade). Era um cara calmo, preferiu silenciar, havia coisas mais importantes à fazer. Perdeu a primeira aula, obviamente, o que não importaria muito... se não tivesse que apresentar um seminário naquela aula! Era um cara centrado, preferiu não praguejar em vão. Não tinha a segunda aula da manhã (nem a da tarde), por que não ir embora então? Tinha tantas coisas à resolver. Chegou em casa com planos de ligar para os amigos, combinar uma balada pra desafogar da má sorte. Seu telefone estava cortado. Ligou na operadora do orelhão em frente à seu prédio... algum desocupado grudara um chiclete no fone... usou o outro ouvido. 'Veja bem, meu senho, temos uma conta pendente no nome do senhor aqui!'. Tinha se esquecido de pagar o mês anterior. 'Droga!'. Era um cara sereno. Teria que ir até a 'loja mais próxima de nossa empresa e efetuar o pagamento para religamento de seu telefone!'. Trocou de calça e saiu às pressas. De novo esqueceu-se de escovar os dentes. Mais R$0,50 de balas. Entrou no elevador e se deparou com as duas vizinhas mais lindas e desejadas do prédio todo. E elas pareciam "receptivas" naquela tarde, davam risinhos e o olhavam. Ele fingindo que não percebia. 'Estou bem', pensava. E fazia caras e bocas. Na esquina do seu prédio, já na rua, descobriu que seu zíper estava aberto. Fechou-o, era um cara desencanado, decidiu seguir adiante, até o banco, pegar dinheiro pra poder pagar a conta. Descobriu, sem muito esforço, que haviam clonado seu cartão. Estava zerado. Passou três horas esperando que o mal-entendido fosse desfeito e seu dinheiro devolvido. Precisava do telefone e faria tudo para consegui-lo de volta. Pegou a quantia certa, não podia gastar mais do que o necessário, afinal, dois dias antes havia perdido R$150,00 na rua. Entrou no escritório da operadora de telefone e lá se foram mais duas horas na fila. Chegando sua vez, a luz acabou. Mais meia hora de espera. Esperou, era um cara cabeça fria. A luz voltou, pagou a conta, saiu feliz do escritório pelo pepino resolvido... foi atropelado por uma Perua Kombi 1978. Era um cara totalmente sem maldade, mas, nessa hora, explodiu: 'Você não olha por onde anda não seu... seu... CEGO!'. Passou o resto do dia no hospital engessando a perna esquerda. Não haveria futebol no fim de semana. Chegou em casa faltando 15 minutos para a meia-noite. Precisava entrar na internet à meia-noite, havia combinado com a amada uma longa conversa pelo MSN. Não aguentava de vontade contar tudo que acontecera com ele no dia. Toda sua má-sorte, azar, chamem como quiserem. Precisava desabafar, estava triste, estava estupefato. A linha, discada, caiu 7 vezes antes dele conseguir se conectar ao MSN. Precisava falar, desabafar, dizer o que sentia, estava tenso, nervoso... não aguentava mais, tinha que dizer para alguém como odiava o mundo. A janela de conversa MSN apareceu no centro da tela. Era sua amada. Ele abriu um grande sorriso e suspirou bem fundo. 'Oi amor, como foi seu dia?' - perguntou ela - 'Normal, sem você tudo fica monótono! E o seu?' - 'Ansiosa para falar contigo!' - e ele ficou sem palavras."
Escrito por Sandman às 01h20
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Capítulo sem Poesia
"Eu te amo calado como quem ouve uma sinfonia..." (Lulu Santos) "Quando virou a esquina, as lágrimas já lhe desciam aliviadas pelas faces. Tinha se contido muito antes de fazer aquela confissão ao amado, mas, naquele dia, exatamente, naquele dia, não pôde mais conter. Tinha medo de que seu estômago lhe pulasse à boca dizendo: 'Escuta-me, estou cansadíssimo de estar sempre gelado quando pensas nele! Vou-me embora que aqui já não há lugar para meu sofrimento!'. Mas o sofrimento era do estômago ou dela? Grandes respostas não se espera dessa pergunta, já que os dois se confundiam tanto que poderia chegar-se a dizer que não viveriam um sem o outro. O Estômago, Ela, Ele, o Mundo. Chamou-lhe às portas do prédio, não quis subir, já o tinha feito antes, mas o assunto era rápido, já sabia o que esperar, 'Confesso-me e sumo, assim ele não tem tempo nem de pensar!'. Plano bom, realmente, bom plano, se não fosse totalmente sem pé nem cabeça, como se diz. Confessar que se ama uma pessoa, para a própria, por mais de dois anos e esperar que ela nem se dê por conta!? Claro, totalmente provável. Com o perdão da ironia inexpressiva. Mas o plano foi levado à cabo. Ele desceu, os cabelos soltos, lindos, como ele, balançando e ora tapando, ora revelando aquele sorriso que a fazia suspirar há tanto. Passos firmes, corpo másculo, 'Meu deus grego!', suspirou o estômago, 'Cala-te, por favor, deixa que agora falo eu...', retrucou ela incerta do que havia acabado de dizer. Abraço, beijo no rosto, abraço forte, esqueci de mencionar, beijo molhado, como ele sempre lhe dava, as pernas já bambas, 'Amo-te loucamente!', disse sem pensar. O discurso que se seguiu repetido não será, só causaria mais dor ao coração da pobre amante, inveterada, tantas vezes não amada. Disse tudo o que há muito não queria dizer, mas precisava como se disse lhe avisasse o altíssimo: 'Veja bem, minha filha, ou diz, ou perde a vida, não pela morte, mas pelo medo de vivê-la!'. E ela obedeceu. E seguiu o plano. Quando virou a esquina, as lágrimas já lhe desciam aliviadas pelas faces."
Escrito por Sandman às 01h28
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Volte
"Me pergunte aonde sinto e eu te digo o que eu vou
corpo, alma, coração
sentimento
Tanto de desejo misto de paixão
inteiro minha ... seu ....
Olhe para mim pare de sorrir permita te amar
não pergunte o que é certo errada pergunta
Me pergunte o que sinto e te digo
'Volte!' "
Diego Filipe
Hora do Capítulo
"Quando ela dorme em minha casa o mundo acorda cantando!" (Zeca Baleiro)
"Gostava das 6 da manhã. Não sabia por que, mas gostava era das 6 manhã. Para ele, esse horário era o horário mais renovador do dia. Guardava algo de esperançoso, algo de azul laranja vermelho quase paupável, pertinho do escuro. Guardava o fim de um sentimento de alguém que, como não conseguisse dormir, passou a noite em claro à chorar o amor de outrem. Gostava das 6 da manhã como ninguém. Horário quase milagroso, em que o dia se renova, pronto para mais uma jornada de sol, que iria cruzá-lo de uma ponta à outra do mundo. Acreditava mesmo que, em uma hora qualquer, era noite no mundo todo, pois todos deveriam ter suas 6 horas da manhã. As 6 da manhã traziam a vontade irreprimível de ligar para ela, 'Já é dia, ela deve estar acordada', se dizia, mas não se acreditava, e se negava, e se sofria inteiro. O sol se levanta, o dia avisa-se de si mesmo, o mundo acorda (exceto aos domingos, que as 6 da manhã são mais tardias) e a tristeza volta pro seu lugar, o fundo do peito. Aliás, as 6 da manhã de domingo eram suas preferidas. O pastel na feira, o suco de laranja na padaria, aquela sensação dilacerante de estar completamente sozinho no mundo. 'Gente, são já as 6, vamos acordar e botar o mundo pra funcionar!' Mas ninguém ouvia, não no domingo, que as 6 horas tardam a chegar. A solidão dominical é algo que se sente como um gosto amargo na boca depois da noite em claro. Porém, mesmo assim, gostava das 6 da manhã. Se as 6 eram triste aos domingos, eram suas, só suas, pois as pessoas lhe cediam esse horário. 'Tome, você que está acordado há tanto esperando, fica aí com suas 6 da manhã que eu cá vou me deitar'. As 6 da manhã do domingo eram de sua solidão e dele. Mas as 6 da manhã vão embora às 7. Fica só a solidão. Pois quem gosta das 6, nunca se dará com as 7. '7!? Já!? Vou dormir que não demora todos acordem e tirem meu dia de mim!'. Gostava das 6 manhã. Tentou gostar das 7, mas as 7 não tinham o mesmo fascínio e frescor que as 6 possuiam. As 6 são as 6 e ponto. E ia assim, gostando das 6. E gostava das 6. Pois as 6 terminava e começava seu dia. Pois as 6 lhe pertencia. 'És minha'. Gostava das 6 da manhã."
Escrito por Sandman às 00h09
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Campanha
"Doe seu nome ao poeta e deixe que dele ele faça uso desuso desfrute
desejo
doe um pouco de amor ao poeta e deixe que nisso ele veja verdade carne palavra
volúpia
doe-se toda ao poeta e deixe que em ti ele faça sexo paixão carinho
prazer"
Diego Filipe
uma Campanha para um Capítulo
"Quero você inteira e minha metade de volta!" (O Teatro Mágico)
"Agora era oficial, com assinatura registrada em cartório e tudo: seu nome pertencia ao poeta! Há muito ele vinha lhe pedindo, mas ela, receosa, não sabia se devia se doar tanto, afinal, era seu nome, a única coisa que era essencialmente sua, mesmo que outra pessoa também o possuíse; mas agora era, finalmente do poeta, ela não tinha mais medo... o nome, o medo, o corpo, a dor e tudo eram dele agora... E o poeta agradecia da forma como sabia, com palavras, com gestos, com toques, carícias e beijos, pois era a única coisa que tinha de sua no mundo, um nome, que não era o dele, mas pertencia a ele como nada antes havia pertencido. Ela, por sua vez, lhe doara mais que um nome e um corpo; doara tudo de si. Doara aquilo que sentia, aquilo que ouvia, que lia, doara uma vida inteira, vivida para que esse momento chegasse. O "tu-tu" carinhoso do telefone, o encontro marcado, a chegada no cartório, o vestido branco, a música... o momento havia valido um universo ser criado. Agora, ela era do poeta e o poeta era dela e todo o sentimento era da poesia e a poesia era do mundo. O que havia escrito no papel não se recorda, mas era algo como:
'A partir desta data, o nome é do poeta e todo sentimento dele é toda poesia dela'
E o poeta não mais amou amar outro alguém
E o mar nunca mais amou a mulher
E os dois viveram na poesia, quem sabe, felizes para sempre!"
Escrito por Sandman às 01h20
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Todas as Letras
"Me dê um sorriso e eu to dou todas as letras as que conheço ... e as que nem tanto ... que nem te conheço ... ou demais sei de ti ... mas que importa!? quero o beijo o cheiro (um cheiro) e todas as letras do A ao B num segundo ... eterno ... do pescoço ao seio ... do umbigo à flor ... flor de cheiro ... etéreo ... prazer à dois ... à sério ... "
Diego Filipe
lendo Saramago escrevi um Capítulo
"Eu tive um sonho ruim e acordei chorando... será que você ainda pensa em mim?" (Cazuza)
"Alô, Alô, Só queria dizer que gosto de você, Assim, sem pensar, Pois sabia que por muito tempo pensei (só faltava a coragem), Por quê, Porque pensar é algo que faço sempre, Por que gosta, lhe pergunto (bobo), Ah, gosto porque sim, Não é acaso porque não, Porque não é que liguei, Ligou tarde, Casou-se, Não, Enamorou-se, Estou só, Então, Tarde porque agora também gosto de ti, Queria evitar (então vamos nos ver), Não sei, seria possível (vamos, agora, onde), Por que não (tanto faz, só quero estar contigo), Por que sim (decida-se que minhas pernas estão bambas), Por que nunca me disse (pois cá estou aos pulos), Pelo mesmo motivo que não me disse você (eu também tinha medo), E qual é (quero te abraçar agora), Diga você (e eu te beijar), Sinto, mas não sei dizer (seu corpo, ah como sonhei), Então fiquem nossas desculpas pedidas (e eu com o seu, fiquemos juntos), Desculpas a quem (agora), Desculas ao mundo, Ao mundo, Sim, ao mundo (por termos privado ele de nós dois..., Vou até você (correndo, por não te perder nem mais um segundo...
Desligaram-se os telefones, corações aos pulos. Tudo que deveria ser dito, o foi, talvez o que esteja apertado de emoção entre parênteses não tenha sido falado, mas nem sempre o dito precisa de palavras, mesmo ao telefone, o que está para ser verdade, nunca se distorcerá pela falta de palavras. O que era confissão foi confessado, o que era lágrima, foi chorado (de alegria) e todo sentimento, pois o desejo é urgente, saciado!"
Escrito por Sandman às 23h34
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Aquele Capítulo
"She´s talking in her sleep It´s keeping me awake and Anna begins to toss and turn And every word is just nonsense but I understand and Oh lord, I´m not ready for this sort of thing" (Counting Crows)
"Quase não pôde acreditar quando o tocou; também pudera, era um sonho tão bom... e era mesmo. As mãos buscando na escuridão do quarto, escuridão que invadia à todos, a presença sentida de perto... o toque leve na face... o acordar assustado. Se era um sonho e estava escuro, como saber que era realmente ele? Pergunta tola se avaliamos a mecânica do sonho: as coisas simplesmente são quando se sabe que é! Mas o toque, mesmo sonhado, era leve, era doce, tinha sabor de casa da vó da gente, tinha cheiro de quem a gente gosta... e ela sentia viva cada uma dessas sensações. Acordou não cabendo em si de alegria. "Sonhos são presságios", dizia, "eu hei de encontrá-lo neste dia!"... mas os dias dos sonhos são tão incertos. Pra ela não interessava se hoje era amanhã, ontem ou hoje mesmo, só sabia que algo acordava diferente, não só nela, mas na própria manhã... ela acordara sorrindo... ela mulher ela manhã... Ela era tudo num segundo e continuava sendo no próximo. Como se sentir assim por coisas que nem sabemos de onde vêm (e cá falamos dos sonhos ou dos sentimentos?)? É fácil, é só abrir os olhos depois de nascer... aprendemos certas coisas rápido demais. Ou, "o importante mesmo não se aprende", como ela costumava dizer à suas amigas, "Já nascemos com ele [o importante] aqui dentro, pronto pra sair!", e não era menos verdade do que qualquer coisa dita por qualquer pessoa entendida de letras, números, bocas, sexos... era apenas verdade, porque verdade não se discute. Foi um banho rápido, o banho da manhã; foi um café rápido, o café do dia-a-dia; o elevador demorou exatamente o mesmo tempo para levá-la ao primeiro andar; o porteiro disse o mesmo "Bom dia" de sempre; mas, deus, como era tudo tão mais fácil de ser respondido, o banho, o café, o elevador e o porteiro... todos acordaram, como por mágica, sorrindo. Saiu à rua como sempre faz: com as pernas... não era bonita... confessa-se, era feia... não tinha a bunda mais empinada... confessa-se, era um pouco caída... não gostava de balanças... confessa-se, elas a odiavam... não tinha nada que pudesse atrair a figura escura do sonho...
... mas tinha o mundo no coração naquela manhã ... podia tudo!"
Escrito por Sandman às 23h45
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o Hoje em um Capítulo
"Stones, taught me to fly Love, taught me to lie And life taught me to die So it's not hard to fall, When you float like a Cannonball" (Demien Rice)
"Era já a terceira folha que ele perdia... e as vozes em sua cabeça não cessavam... Era só uma carta, que dificuldade haveria? Era só confessar o que sentia e pronto, estava cumprido o objetivo da escrita, de uma vida, de um universo inteiro... mas por que era tão difícil então? O lápis ria da covardia do homem, 'Você não tem coragem nem de escrever meias palavrinhas de amor!', dizia, e, apesar de sabermos que os lápis não são os seres mais sábios do planeta, pois só fazem rabiscar o conhecimento dos outros, como podemos negar a verdade de suas palavras. 'Escreve, homem, escreve, que eu cá te ajudo!', completava, mas o homem não podia. Palavras, eram só palavras, e elas estavam anciosas por serem usadas, mas como poderiam ser só palavras, se continham todo o sentimento do mundo? Mas as vozes não cessavam. As rosas o incomdavam, 'Ei, cheguei aqui, em envie cmo um perfume e uns bonbons, esquece essa carta, se ela te faz sofrer tanto!', e era uma proposta tentadora... mas rosas substituem uma verdade? 'Se declare, meu rapaz...', dizia-lhe o tinteiro, sempre reticente, velho sábio, das antigas... Mas como fazer isso? Como posso fazer isso? Me declarar é contras as regras? Por que fazer isso? Por que me propor a trabalhos de Hércules, se sou apenas Prometeu? E o sufoco de não conseguir atormentava mais uma vez. Uma carta e nada mais e todas as vozes cessariam... e todo medo acabaria... e todo dia seria azul... e todo sentimento seria pleno... imagine só: nós dois, um banco branco, primavera, beijos em sua boc... 'Pare de divagar sobre o que nunca terá! A vida está aqui e agora, e você não tem coragem de vivê-la!', palavras da nova folha que, vendo-se em branco, questionou sua existência e culpou, pois é o que fazemos primeiro, aquele que não lhe dava uma razão de viver... Falar era proibido... pedir impossível... escrever... escrever... era só o que ele queria... e nada mais... quem sabe o amor, quem sabe nada... E isso lhe seria tudo... Perguntou então à borracha, aquela que, apagando tudo que é escrito, guarda o conhecimento pra si, e guarda tanto conhecimento, tanta sabedoria, que isso acaba corroendo sua vida, fazendo ela acabar em si mesma... pergunou e sorriu... todas as vozes se calaram... e o homem sorriu... e o homem escreveu... e o lápis se calou...
e o homem... amou...
e a borracha... por mais um tempo viveu...
e um dia... tudo morreu...
o homem, a mulher, a borracha e o amor..."
Escrito por Sandman às 00h56
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BRASIL, Sul, LONDRINA, CENTRO, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Música, Viver
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