Blogalizando
  

De Um outro Eu-Lírico

"Te quero nem sempre,
nem todo dia,
mas quero como
e porque arde
principalmente
quando te quero longe!

e perto também
Q-U-E-R-O
pois querer te tenho
e querendo-te-confundo

sou dúbia

tenho medo
me afirmo
minto
Mulher
menina

me escondo
em você
de você
pra você

te afasto com motivo
e sem
pra te testar
pra não enjoar

pra você me desejar!

sou insegura e
insegura perco

sou dona da minha vontade e
Dona
te ganho!"

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 00h42
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Um Outro Samba

"A gente esquece um samba
e faz um outro samba"
(Paulinho da Viola)

"Te mostrei meu samba e você riu,
mas não sorriu por felicidade ou vaidade;
o motivo? Qual!? Eu já não sei!
Mas na cadência do teu riso eu chorei.

Deve ser porquê sou mineiro
e do samba nada entendo,
só sei de seu balanço sereno, sofrido
e é a ele que me entrego.

Mas você riu e disse
que de samba já basta o seu
e que o meu é meu
e dele você não compartilha o tom.

Deve ser porque não tenho o molejo,
a malícia e a malandragem que te atrai,
pois meu samba não está no pé
e sim nos dedos que batucam dolentes na mesa.

E ao ouvir meu cantar, riste dele
e seu olhar foi de desprezo,
então, desse samba me esqueci...

... fiz, agora, um outro samba,
repetido, triste, dizendo todas as coisas que já lhe disse,
que é pra quando eu cantar de novo
possa ver um sorriso qualquer se abrir em seus lábios."

Diego Filipe

Dedicado à quem é justo que o seja



 Escrito por Sandman às 14h10
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Um Samba

"Gosto do teu cheiro
e dos teus pêlos,
mas prefiro o cheiro
do meu violão.

Adoro emaranhar-me
em teus lisos cabelos,
mas meus finos dedos
melhor tateiam e dedilham
as cordas de meu instrumento

e suas curvas não são tão justas
quanto o corpo da viola
que pousa, nua, sobre minha coxa
e canta suas notas
sem vergonha ou pudor.

Com ela, componho um samba
que é pra espantar a saudade
e curar minha vontade,
essa tremenda vontade de você;

canto para tirar-lhe a dor
e a necessidade do peito

e se, nessa cadência,
se sentires balançada,
embriagada,
entregue-se

que eu deixo a viola de lado
e embalo um samba em seu coração."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 12h40
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Poema Pra Espantar Necessidade
(ou A Cura Para Aquela Doença)

"É preciso menos amar para se escrever,
muito amor é doença
e, doente, não há poeta que conjugue

um verbo, um adjetivo,
um abraço sequer.

Dos dois, poema ou poeta,
à um apenas pertence a cena:
ao outro cabe o esquecimento
e o esquecer

e um quinhão do alívio
de guardar a paixão na palavra.

Mas se o poeta ama
e o faz sem limites,
dele a poesia escapa,
ela não é assim,
não se entrega...

... o poema tem medo da paixão do poeta.

É preciso não precisar,
já que o que importa é o querer;

há de bastar a vontade
(e não a necessidade)
pra fazer brotar o romance

que o poema vem de enfiada,
chega junto
e bebe da felicidade ingênua

de ser exatamente aquilo que se deve ser quando as coisas vierem a acontecer!"

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 01h05
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Aconteceu

"... e foi quando você veio
e fundou em mim a solidão.

Deixou aqui comigo sua presença
mesmo quando está ausente
calou o que em mim era poeta
comeu os meus pontos e minhas vírgulas

e no lugar onde eu guardava a certeza
plantou fundo seus "não!".

Inventou a felicidade
e a transformou em seu perfume
e invandiu minha casa
e minhas roupas
e meus dias

hoje, cada segundo é perfumado de você.

... na verdade, foi quando eu te notei
e meus olhos não souberam olhar pra outra direção..."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 04h14
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