Blogalizando
  

Costume

"Costume é o nome que damos
às pequenas opressões
cotidianas
das quais somos vítimas
e autores
e nem percebemos.
É como, as seis da tarde,
ofender o sol,
desejando a todos 'boa noite!"

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 19h44
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Oração

"Suspendam o tempo
pra eu viver sempre o já
pra eu saborear apenas o agora.
Tirem da vida
a capacidade de mover-se à frente
sem direção ou propósito
e recoloquem as coisas nos eixos
como elas devem ser.
Deixem-me dizer o que não disse antes
sem as consequências futuras
inevitáveis d'eu ter dito
exatamente o que queria.
Que minhas ações sejam imediatas
pra sempre
e não respostas tardias
pra perguntas as quais eu não queria ouvir.
Não deixem a vida passar tão rápido
e me dêem lucidez
pra agir de forma correta
porque a hora é sempre agora
e meu agora é curto demais pra esperar."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 19h58
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O Que Não É!

"Não é abstrato
surreal
ou ilusório

Não se mente
não sem engana
não se esconde

Não faz diferença
não diferencia
não termina

nunca muda!

Não é leve
não é simples
não faz silêncio

Não salva
absolve
ou condena

não brinca
não tem pena
nada supera

Não mata
não cega
não lesa

É... e pronto!"

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 23h34
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Jantar

"Eu fico de sobreaviso,
eu leio com cuidado,
mas penso com carinho.

Eu evito o sonho,
eu critico com raiva,
mas devoro com gosto.

Alerta, soldado!
Me diz o senso,;

Crítico, otário!

... só sei interpretar
aquilo que quero.

Querer indissolúvel,
apaziguamento impossível,

cada carta é um banquete,
mesmo o mais amargo:

saboreio as palavras
como quem não te come há dias!"

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 01h15
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Eis A Questão

"Quando a dor se aproxima,
fazendo eu perder a calma,
passo uma esponja de rima
nos ferimentos da alma."
(Cordel do Fogo Encantado)

Do tudo que sou
e o que não sou
e da facilidade
e da dificuldade
do Ser.

Motivação:
a ditadura da atitude
e a suprema vontade
da vida
expressa
naquilo que creio
ser o melhor dos outros

Tudo isso em mim
de mim
mas só pra mim

E pra ninguém interesse
o meu não ser
o meu penar
o meu gozo
meu trabalho

minha preguiça

E o que me vale
e o que te vale
quando o que vale
vale dentro
de tudo aquilo

que o outro tem pra me dar?

Sinto lhe desapontar:
sou tudo aquilo
que você nunca será!

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 22h39
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"Amanheceu outro sol que trará
a luz, outro dia, sol lunar.
E pro longe existir
eu vou dizer do meu desejo de fazer
tudo mudar..."
(Graveola e o Lixo Polifônico)

Lembrança

"Quantos anos se passaram?
Um? Dois? Todos?
E a que velocidade eles se foram?
A contrária a da luz:
eu ainda estou lá!
Pra lembrar
deixo meu quarto bagunçado,
mas já não há mais,
na desorganização das memórias
seu guaraná sem gás,
sua água quente,
sua escova ainda molhada
e os pássaros de papel
que construiu enquanto eu dormia.
Nem meu escuro,
nem meu sono:
nada!
Minha mão em suas calças:
Pára!
A porta aberta
é pra quem quer entrar;
o coração aberto
é pro que quer sair...
A música baixa
é o consolo daquele que quer chorar."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 05h21
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Da Não-Existência

"Do nada ao pó,
a não-existência,
que não é
de forma alguma,
oposto ou contrário
do conhecido
como vida.

Condição da qual
nunca se chega,
pra sempre se vai,
pra onde se vai
e onde nunca se está.

Qual sagrado
ou profano,
qual Nada.

Recordação não há,
a vida é impressa,
indelével,
não totalmente
rememorável,
mas pungente;

está no corpo,
está no ar,
por dentro
e por fora,
na mente
e fora dela,

só não há
o que Não-Haverá.

Recorda-te da vida que tiveste
em cada momento da vida que terás."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 02h32
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Fascinação

"Uma coisa não nego,

me fascina:

as vezes uma vida inteira

vira poesia;

você lê,

raciocina

e afirma:

'Meu, que porcaria!' "

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 20h29
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Um Vento

"O vento bate a porta do quarto,
mesmo vento frio
que te sopra pra embora.
Eu o ignoro e
na ânsia de mais um pouco de si
te persigo.
Chove e a chuva te escorre;
lânguido que sou
não te bebo,
tenho medo;
prolongamentos infinitos dos momentos de despedida.
O vento não abre portas
e a chuva não seca dores.
Afelicidadeétãocurtaquantoexiste!
Mas o vento foi forte
e minha personalidade, marcante:
encontro abrigo na calça jeans mais velha
e no rancor do rival mais próximo.
Vou enumerando os poemas que não te escrevi."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 19h51
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   Velho com cara de Novo

"Je sens ce qui me dit la nuit
quand seul
j'entends les voix
ils que foulent fort dans le coureur.

...hier je suis mort de toi..."

Diego Filipe

 Escrito por Sandman às 04h46
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Máximas e Interlúdios

Era fácil mentir: não acreditava mesmo nas suas próprias palavras!

Ao feio, o bonito lhe apetece.

Trabalhava de sol à sol, mas com escala em Milão.

Eram dois num barco; um remava pra esquerda, outro pra direita: movia-se, então, o rio.

Crise criativa é como menstruação: passa, mas quanto sangue vai junto...



 Escrito por Sandman às 21h29
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 Escrito por Sandman às 15h53
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Do Rio Que Sou

à Gisele Rodrigues

"Molhe em mim sua boca
sedenta
que cada beijo que eu te der
será diferente do anterior
e um prenúncio do próximo.

Navegue afoita meus raios
de sol
e aqueça essa vontade
louca
de nunca sair de nossa cama

suja do nosso amor
e de meus anteriores
e futuros

pois juntos somos
pretéritos
e imperfeitos
e inteiros
posto que somos chamas
sempre eternos!"

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 23h35
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Cinco Sentidos

"Pra me livrar de sua imagem
rasguei nossa mais bela foto;

só não consigo me livrar
da lembrança de seu sorriso.

Pra não ouvir sua voz
me mantenho longe do telefone;

mas você sussurra 'eu te amo'
enquanto estou dormindo.

Na gaveta do meu quarto
deixei o que restou do seu cheiro;

só não lavei ainda
todas as peças de roupa nas quais ele está impregnado.

Contra os apelos loucos do meu corpo
me agarro forte ao travesseiro;

mas faltam-lhe braços
para responder ao meu carinho.

Pra tudo tenho uma solução,
só não sei o que fazer
com essa saudade do gosto de sua boca
que me deu agora!"

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 18h17
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Tédio
(e/ou Depois de Você)

"É como se quisesse
mudar os móveis de lugar
e não conseguisse...

... e como se o fizesse,
mas de nada adiantasse.

É como se a cidade
perdesse seus habitantes,
menos um.

É como quando o café
já esfriou na chaleira
e não se sente mais cheiro algum.

É o celular que nunca toca,
fora de área,
dentro da própria casa.

É como se a culpa fosse do correio,
pois a carta não chega...

... se chegou a ser enviada.

É como a música mais irritante
tocando alta o dia todo no vizinho.

Como lavar a louça limpa;
enxugar os pés já secos;
chorar no escuro...

É como abrir a janela do quarto
em dia de céu nublado."

Diego Filipe



 Escrito por Sandman às 16h38
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BRASIL, Sul, LONDRINA, CENTRO, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Música, Viver


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